Textus Receptus
- Tipo
- Texto em língua original
- Língua
- Grego
- Cânon
- 27 livros (só o Novo Testamento)
- Salmos
- Numeração hebraica
- Joel e Malaquias
- Divisão ocidental (Joel com 3 capítulos, Malaquias com 4)
- Licença
- Domínio público
História
Esta edição não é uma tradução. É o Novo Testamento grego — aquilo de que as edições latina, inglesa, portuguesa, francesa, espanhola, italiana e neerlandesa são versões, diretamente ou passando pelo latim de Jerônimo.
O texto nasceu em meio à corrida para publicar um Novo Testamento grego. Em 17 de abril de 1515, o humanista Beatus Rhenanus (1485–1547) escreveu a Erasmo de Roterdã (1466–1536), então na Inglaterra, informando que o impressor João Froben (1460–1527), de Basileia, queria obter seu Novo Testamento. A iniciativa ocorreu enquanto a Poliglota Complutense, cujo Novo Testamento grego já havia sido impresso, ainda aguardava autorização para publicação. Tradicionalmente, essa circunstância é apresentada como um dos motivos para a pressa de Froben em levar ao prelo uma edição de Erasmo. Erasmo aceitou o projeto e trabalhou sobretudo com os poucos manuscritos gregos que conseguiu reunir em Basileia. Para os Evangelhos, utilizou principalmente um manuscrito da própria Basileia; para os Atos e as Epístolas, outro manuscrito; e, para o Apocalipse, valeu-se de um códice que lhe fora emprestado por Johannes Reuchlin. O texto foi estabelecido e preparado para impressão em um prazo extraordinariamente curto: a impressão começou em setembro de 1515, e o Novo Testamento completo ficou pronto nos primeiros dias de março de 1516. Em uma carta a Willibald Pirckheimer, Erasmo descreveu o resultado como praecipitatum verius quam editum — “precipitado mais do que editado”.
O texto foi reimpresso repetidamente ao longo do século XVI e início do XVII, com pequenas revisões a cada etapa. Robert Estienne (1503 - 1559) publicou a quinta edição erasmiana em Paris, em 1550, com variantes de quinze manuscritos, e foi essa impressão que esteve por trás da Authorized Version inglesa de 1611. A edição genebrina do ano seguinte foi o primeiro Novo Testamento grego impresso a apresentar a divisão em versículos que usamos hoje — uma inovação que posteriormente se difundiria também nas edições da Bíblia em outras línguas. Vieram as revisões de Teodoro de Beza (1519 - 1605) e, depois, os irmãos Elzevir, em Leiden, cuja segunda edição, de 1633, trazia no prefácio a frase que batizou a edição — Textum ergo habes nunc ab omnibus receptum, “tens pois agora o texto recebido por todos”. O Texto Recebido (Textus Receptus) é essa edição dos Elzevir, e reinou quase sem oposição durante cem anos, em cerca de cento e setenta impressões.
Curiosidades
Duas leituras desta edição estão ali por circunstância, e não por evidência manuscrita. Ao manuscrito do Apocalipse que Erasmo utilizou faltava a última folha, que continha Apocalipse 22,16–21. Para completar o texto, Erasmo retroverteu esses versículos do latim para o grego. O versículo 19 está dentro desse trecho e, por isso, sua edição traz Βίβλου τῆς ζωῆς, “livro da vida”, correspondente ao libro vitae da tradição latina da Vulgata, em vez de ξύλου τῆς ζωῆς, “árvore da vida”, leitura encontrada na tradição manuscrita grega e adotada, por exemplo, pela World English Bible.
A outra é 1 João 5,7, o chamado Comma Johanneum, sobre o testemunho das três pessoas no céu. Erasmo o deixou fora das duas primeiras edições do Novo Testamento grego, de 1516 e 1519, porque não o encontrou nos manuscritos gregos que consultou. Depois de ser criticado por sua ausência, declarou que o incluiria caso lhe fosse apresentado um manuscrito grego que o contivesse. Um manuscrito recente, o chamado Codex Montfortianus, foi então apresentado a ele, e Erasmo incluiu a passagem na terceira edição, de 1522.
Fontes
- Editions of the Bible — Anthony Maas, The Catholic Encyclopedia, vol. 5 (Nova York, 1909), sobre Erasmo na Basileia, Estienne, Beza, os Elzevir e a frase que batizou o Texto Recebido
- Epistles of Saint John — Walter Drum, The Catholic Encyclopedia, vol. 8 (Nova York, 1910), sobre a evidência manuscrita de 1 João 5,7